Apresentamos em um post recente, uma abordagem sobre o conceito de inflação (veja 👉 aqui). No presente post, damos continuidade, abordando aspectos relevantes sobre o tema.
Você sabia que existem vários tipos de inflação? Consegue entender o que as instituições estatísticas nacionais e os órgãos de comunicação querem dizer quando informam sobre a inflação? Venha e entenda!
| Imagem: pixabay.com |
Há distintas teorias desenvolvidas para explicar o fenómeno inflação. Neste post, abordaremos as mais proeminentes.
Teoria Monetarista sobre Inflação
Os economistas da corrente monetarista, com destaque para o americano Milton Friedman (1912-2006), consideram que a inflação é um fenómeno monetário. Isso significa que ela é determinada pela quantidade de moeda em circulação na economia. Tal pode ser visto, por exemplo, a partir da equação de trocas:
M×V = Y×P
Sendo:
M - Oferta de moeda;
V - Velocidade de Circulação da moeda;
Y×P - Produto nominal (o Produto Real multiplicado pelo Nível Geral de Preços)
Mantendo constante a velocidade de circulação, um aumento na quantidade de moeda ofertada exigirá um aumento no nível geral de preços para manter o equilíbrio entre o mercado monetário e o mercado real - é a famosa Teoria Quantitativa da Moeda.
Teoria Keynesiana sobre Inflação
Os economistas keynesianos distinguem diferentes tipos de inflação de acordo com suas diferentes origens ou causas. Assim, temos:
Inflação pela Oferta: devida a factores ligados aos produtores e vendedores. Aumento de custos de produção das empresas e obsolescência do equipamento fabril são algumas das situações que levam à inflação pela oferta.
Outra prática susceptível de gerar inflação é o açambarcamento (Clique 👉 aqui para ler o post sobre esse tema).
Inflação pela Demanda: resulta de uma pressão dos compradores, os quais demandam mais da cesta de bens em causa pafa o cálculo do índice de preços. Como a procura passa agora a ser maior do que as empresas são capazes de fornecer, os preços aumentam para absorver o excesso de liquidez no mercado (excesso que pode ter sido causado por um aumento do rendimento disponível, por exemplo). Tal pode dever-se.
Este tipo de inflação pode ser controlado através de intrumentos de política económica monetária, como as taxas de juros directoras, as quais deverão ser manuseadas de modo a incentivar a poupança, reduzindo o consumo.
A nível da política económica fiscal, adopta-se a tributação como mecanismo de controle da inflação. O aumento de impostos é uma medida que tem sido adoptada pelos governos para contrabalançar efeitos inflacionários do excesso de liquidez na economia.
Olhemos para o aumento do Rendimento Disponível, por exemplo, o qual é uma das causas de aumento da demanda por bens e serviços. Veja-se a explicação seguinte:
O dinheiro é representativo do que as pessoas podem adquirir com ele no presente e no futuro.
Quando aumenta a quantidade de moeda disponível, as pessoas escolhem quanto dessa quantidade destinar a adquirir bens e serviços agora (aumentar o consumo presente) e quanto dela guardar para usar na aquisição de bens e serviços no futuro (poupança).
Essa escolha de alocação do rendimento é influenciada pela propensão marginal a consumir ou, de modo equivalente, a propensão marginal a poupar, duas medidas simétricas que representam quanto do rendimento disponível é alocado ao consumo e quanto é dedicado à poupança, respectivamente. Tais propensões são determinadas por factores psicológicos, por hábitos e costumes de cada região, e são influenciáveis por acções como publicidades, entre outras.
Assim, quando não encontram disponíveis as quantidades de bens e serviços que pretendem adquirir (quando a produção disponível é menor que a quantidade de moeda que as pessoas têm), seus preços tendem a subir. Em caso contrário (quando a produção é menor), os preços tendem a descer, podendo chegar a um quadro de deflação.
Outros critérios dão lugar a outros tipos de inflação, conforme apresentamos a seguir.
Quanto à circunscrição geográfica onde ocorrem os acontecimentos que causam a inflação
Inflação doméstica: devida a fenómenos que ocorrem na economia em apreço.
Inflação importada: devida a fenómenos ocorrendo no exterior da economia em questão. Uma forma de evitar este tipo de inflação é reduzir o nível de exposição externa da economia, produzindo localmente a maioria dos bens utilizados no país, uma vez que esta inflação está frequentemente associada a variações no mercado cambial (veja 👉 aqui).
Quanto ao período ou intervalo de tempo a que corresponde
Inflação mensal: é referente à variação entre determinado dia de um mês e o mesmo dia do mês seguinte.
Inflação homóloga: compara-se o nível geral de preços entre doze meses.
Inflação média: calcula-se a média mensal das taxas de inflação registadas em 12 meses.
Inflação média anual: calcula-se a média das taxas de inflação anuais registadas em diferentes anos.
Para concluir, importa frisar que as medidas da inflação configuram-se um importante termómetro da economia, indicando o nível e a tendência da actividade económica e de outros indicadores da economia (como a taxa de emprego).
Os economistas costumam defender que o melhor para as economias é inflação controlada, com taxas dentro das metas de 2% a 3%, ao invés de deflação ou inflação zero, pois, estas últimas estão associadas a baixos níveis de actividade económica, podendo levar a consequências como redução do nível de emprego.
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