Quando ouvimos falar de importação, a ideia que nos surge à mente é de produtos sendo trazidos de outros países. Produtos informáticos e electrónicos, vestuário, mobiliário, e outros, são alguns dos exemplos que nos vêm à imaginação. Bem menos comum e mais susceptível de gerar estranheza é a expressão 'importar inflação'. Entenda como isso é possível na prática!
Para melhor entender, importa apresentar uma breve e esclarecedora definição do conceito de inflação.
Inflação não é a mera subida dos preços. É a subida de preços generalizada e continuada, ou seja, o aumento do nível geral de preços durante determinado período de tempo, sendo determinada pelo Índice de Preços considerando produtos de amplo consumo na economia de que se trate.
Inflação Importada
Quando derivada de acontecimentos externos à economia (isto é, ocorrências do exterior em que não haja acção directa de nosso país ou nossa economia) ela é considerada como tendo sido importada. Trata-se de casos em que tais acontecimentos provocam uma subida da generalidade dos preços dos bens de mais amplo consumo na economia. Esses bens constam de uma cesta de consumo determinada e seus preços podem ser afectados por choques sobre produtos de importância relevante para a economia em causa ou de que esta dependa significativamente, como commodities agrícolas (são exemplos, os cereais milho, soja, trigo e feijão) ou energéticas (como o petróleo), choques sobre fertilizantes e outros de importância conjuntural.
Tais impactos verificam-se mediante mecanismos de transmissão de preços.
Entre os acontecimentos que podem gerar inflação importada constam os conflitos armados, catástrofes naturais e as barreiras tarifárias, por exemplo.
Como Esses Factores Influenciam a Inflação?
As guerras e a instabilidade política dificultam a produção e transportação de mercadorias entre países, reduzindo a disponibilidade dos produtos nos países de destino, o que causa uma subida dos preços das mercadorias.
Elas provocam também uma restrição da circulação de pessoas, podendo encarecer os serviços prestados. Isso pode acontecer pela obstrução de vias de comunicação, a destruição de meios de transporte e a baixa disponibilidade de combustíveis para o seu abastecimento, a redução da frequência de voos, entre outras formas de transmissão dos efeitos desses acontecimentos. Um exemplo actual é o que ocorre neste momento no mercado petrolífero, em que se regista uma alta de preços por causa do conflito militar envolvendo os EUA, Israel e Irão.
As tarifas comerciais são um instrumento de medida proteccionista e podem causar inflação, especialmente quando os países que aplicam tal medida não têm capacidade de produzir as quantidades que se importam (ou seja, capacidade de suprir a necessidade de importação). Elas podem também levar a uma subida de preços nos países de origem dos bens e serviços, pois o aumento das tarifas no país de destino leva a uma diminuição das exportações do país de origem; esta diminuição provoca a redução da receita arrecadada; esta redução da receita proveniente de bens exportados é, em muitos casos compensada por medidas com efeitos inflacionários (efeitos de subida generalizada e contínua de preços), principalmente quando se trata de produtos e serviços de exportação com elevado peso na balança comercial. Entre tais medidas constam o agravamento da carga fiscal com a aplicação de tributos como o Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA).


